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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O poder do “Não”



As crianças precisam de regras e limites para se sentirem seguras e crescerem saudáveis. Saber dizer “não” nem sempre é fácil e chega a ser extenuante, mas é essencial. Na medida e na hora certa.

Os pais querem o melhor para os seus filhos e desejam, acima de tudo, que sejam felizes. Por vezes, este desejo tão natural choca com a necessidade de lhes dizerem que não. Para alguns pais, esta é uma das facetas da parentalidade mais difíceis de gerir e muitos têm dificuldade em assumi-la com assertividade, coerência e eficácia. Mas dizer que não, tal como dizer que sim, faz parte da função primordial dos pais, por mais que possa parecer doloroso ou até desnecessário.
“O ‘não’ é como o sal da cozinha: nem de mais, nem de menos”, defende o psicólogo Eduardo Sá, alertando que o perigo, à conta do receio dos pais, “é estarmos a criar crianças insonsas”. E isto é “dramático”. Porque “pais bonzinhos são um bocadinho inimigos de crianças saudáveis, por mais que o façam com toda a boa-fé do mundo”. O “não” é o que torna as crianças num “motor de alta cilindrada, com uma caxa de velocidades à medida, que lhes permite ir dos zero aos 100 num instante”. 

Saber dizer não é “uma das maiores competências que os pais devem ter, tal como o saber dizer sim”, acrescenta o psicólogo Rui Brasil. Esta dicotomia “é um dos fatores mais estruturantes da personalidade da criança, nomeadamente ao nível de comportamento, tal como o bem e o mal estão para os valores éticos e o quente e o frio para os sentidos. Estas permitem que cada um de nós aprenda a autorregular-se, a posicionar-se perante uma situação ou a fazer uma escolha”, explica.
O problema é que, quando se trata de colocar limites, muitas famílias sentem-se desorientadas e não é raro ouvirmos mães e pais a reclamarem das exigências dos seus “pequenos ditadores”. Na verdade, estas dificuldades parentais parecem ser resultado da profunda alteração geracional no que toca à colocação de limites e regras às crianças. Na geração dos nossos avós, a educação dos filhos era feita na vertical, sem que houvesse lugar a que os filhos questionassem a autoridade dos pais. A geração seguinte, cansada de autoritarismo, optou pelo extremo oposto, tornando-se por vezes demasiado permissiva. Pais e filhos passaram a ocupar o mesmo patamar de igualdade. Porém, o que as crianças precisam mesmo é de pais que cumpram a sua função, sem confundir autoridade com autoritarismo.

“Os pais têm que ser pais e não amigos. Têm que impor, ditar, estabelecer regras e limites, definir orientações, apontar estratégias. Não têm que pedir por favor aos meninos que aprendam a ser gente ao longo do seu crescimento: têm que fazer deles gente. Com tantas regras quanto amor”, defende Rui Brasil. Porque, caso contrário, acrescenta Eduardo Sá, as crianças limitam-se a fazer, e muito bem, o seu papel: “Esticam-nos e metem-nos no bolso”. E sem darmos conta, “de principezinhos passamos a ter pequenos ditadores e de pequenos ditadores adolescentes tiranos”. É por isso que os pais devem ter a noção de que “a autoridade faz muito bem à vida democrática” e tem uma função essencial. “Se for sensata, compatibiliza as regras da sociedade com os ritmos e o equipamento de base das crianças e isso é tão bom que faz com que elas ganhem asas e saibam voar”.

Regras bem definidas
Já todos ouvimos que as crianças precisam de regras e limites para crescerem saudáveis e em harmonia consigo próprias e com o mundo que as rodeia. Contudo, para alguns pais parece persistir a ideia de que elas sofrem psicologicamente com isso. “É exatamente o contrário”, adverte o pediatra Paulo Oom. “A criança com regras sente-se mais segura”. Por isso, defende que “para educar corretamente uma criança, temos que a frustrar de vez em quando e isto para alguns pais é quase uma barbaridade”. É claro que isto não significa “frustrar pelo gozo de frustrar ou por maldade ou só para contrariar”. Significa “única e exclusivamente que as crianças têm de ouvir um ‘não’”. E mais importante do que ouvir um “não” “é o que a criança faz a seguir a ouvir um ‘não’: é importante que perceba porque é que ouviu aquele ‘não’ e que alternativas é que tem naquele momento para fazer outras coisas que não impliquem aquilo que ela queria fazer e que os pais não deixaram”. Paulo Oom lembra que uma criança que nunca ouve um “não” é uma criança que “não tem limites e como não está habituada a ter regras vai dar-se mal na escola e mais tarde no emprego”.

in Pais&Filhos

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