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sábado, 16 de janeiro de 2016

Alteração de saúde ou de humor pode indicar que a criança sofre bullying




De repente, o filho que sempre foi bem no colégio começa a apresentar queda no rendimento escolar e mudança de humor. Ou então passa a ter dores de cabeça inexplicáveis, diarreia, suor excessivo e náusea, coincidentemente no momento de ir à escola.
Indícios de algum problema físico? Até pode ser, mas não descarte a possibilidade de a criança estar sendo vítima de bullying (agressão, intencional e repetida, sem motivo aparente, em que se faz uso do poder ou força para intimidar ou perseguir alguém, segundo o dicionário).
“Quando a criança muda de comportamento, algo está acontecendo. Por exemplo, é calma e começa a agredir os colegas. Ou costuma bater em todo mundo e, inesperadamente, fica amuada. São atitudes que podem significar muita coisa, como problemas físicos ou em casa, mas também podem ser sinais de bullying”, diz Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, e autora, em conjunto com Anna Flora, do livro infantil “Gato Xadrez – Vamos Brincar Outra Vez” (Editora Suplegraf), em que aborda o problema.
A lista de sinais de que o bullying pode estar angustiando a criança ou o adolescente é longa. Fora as mudanças de humor ou sintomas psicossomáticos –que podem incluir dores de estômago e tremores–, ainda podem existir dificuldades nas relações sociais e transtornos do sono ou alimentares, como afirma a educadora Cléo Fante, pesquisadora do tema e autora do livro “Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz” (Verus Editora), entre outras publicações sobre o assunto.

Diálogo e compreensão

Uma das maiores dificuldades é fazer o filho contar o que está acontecendo. “Geralmente, a criança se mantém em silêncio por vergonha de se expor ou por se achar impotente diante do problema. Há  também o medo de represálias ou de ser incompreendida pelos adultos. Por isso, é preciso promover um ambiente familiar acolhedor, com diálogo, compreensão e afeto. Um ambiente tenso, agressivo e inquiridor fará com que a criança se feche em seus problemas”, diz Cléo Fante.
Para Neide Noffs, uma boa maneira de fazer com que o filho se abra é partir para uma abordagem lúdica. “A brincadeira é um espaço muito importante para os pais identificarem o que está acontecendo com o filho”, declara, já que, ao brincar, a criança costuma expressar seus sentimentos, suas angústias e suas dúvidas.
Nessa hora, os pais devem dirigir a conversa subtilmente para os assuntos que queiram abordar. Do tipo: por que a boneca está levando bronca? Por que os carrinhos estão sendo quebrados ou destruídos? Mas isso deve ser feito calmamente e com delicadeza, para que a criança não se assuste ou se feche.

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